Medalhão da freguesia de Santa Maria de Belém
Adicionado Jan 05, 2017 | Num ID: #26885
 
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60,00€

Distrito:   Lisboa
Cidade:   Sintra
Tipo de publicação:   Vendo
Condição:   Usado
Tipo de Anunciante:   Particulares

Vendo Medalhão da junta de freguesia de Santa Maria de Belém com o brazão da mesma
ITEN : medalha ou medalão
Tipo : redondo
Diâmetro : 6 cm
Espessura : 0.5 cm
Peso : 120 gr

Santa Maria de Belém

A zona ocidental da cidade de Lisboa, delimitadas pelas ribeiras de Algés, e de Alcântara, a nascente – a que em parte corresponde a actual freguesia de Santa Maria de Belém – foi habitada, de acordo com os arqueólogos, desde remotos tempos, havendo nela vestígios da presença humana na era do paleolítico.

Já com Portugal formado, no reinado de D. Afonso III, informam-nos as inquirições que na região o povoamento permanecia disperso, sem qualquer localidade digna de relevo, vivendo as populações essencialmente do amanho da terra. Mas já então se ia fazendo sentir a ligação à vizinha cidade de Lisboa, em que uma ponte entretanto construída – Alcântara significa, precisamente, a ponte – desempenhava importante papel no tráfego entre os dois pontos.

A proximidade do Rio Tejo, por seu lado, foi determinado o surgimento de actividades ribeirinhas e daí adveio o desenvolvimento de uma pequena aldeia – a do Restelo -, nascida num surgidouro que levava os marinheiros a ficarem-se por aí, em vez de seguirem até Lisboa. No século XIV, mouros forros cultivavam as terras confinantes e abasteciam a cidade; outros mouros, livres e escravos, dali partiam para a faina da pesca.

Ora, foi para dar apoio religioso e espiritual a essa gente que se agitava em torno desse pequeno porto em crescimento, a esses embarcadiços que largavam e aportavam, que o infante D. Henrique, movido de piedosas intenções, mandou edificar junto do referido embarcadoiro uma igreja de invocação da bem-aventurada Maria, logo por ele doada à Ordem de Cristo; parece que o mesmo infante, por carta de 18 de Setembro de 1460, terá mandado construir um chafariz e uma fonte, abastecendo assim as gentes e os gados da região.

Durante a centúria seguinte, o porto do Restelo não sofreu incremento notório, nem na zona foram aparecendo quaisquer outras povoações que merecessem particular relevo. Aquilo que se verificou foi uma progressiva integração na cidade de Lisboa, e mesmo a majestosa fundação da nova igreja e mosteiro por D. Manuel não correspondeu propriamente a um nítido sinal de resposta a qualquer crescimento populacional e urbano de realce. Com este suberano, deixou a primitiva igreja de pertencer à Ordem de Cristo, tendo antes o Venturoso atribuído a sua administração aos monges hieronimitas, congregação de forte pendor eremítico.

Ao mesmo tempo, atribuía D. Manuel ao novo templo a invocação de Santa Maria de Belém, de forma a aludir à adoração do menino pelos reis magos, vincando destarte o carácter régio da edificação. O mesmo monarca – nas palavras do célebre Damiam de Góis – mandou edificar sobre pedras lançadas no mar ”uma torre de quatro plataformas, erguida em cantaria (…)”. Estava, assim, formado o monumental conjunto manuelino torre de Belém/mosteiro dos Jerónimos.
A partir de então, nessa franja de costa entre Lisboa e Belém, começaram a aparecer numerosas quintas, já não apenas meras propriedades de rendimento, mas também de recreio, onde a nobreza participou a residir temporariamente, num esquema de cariz sazonal. Com uma população que a pouco e pouco foi crescendo, novos conventos apareceram – essencialmente de freiras – e a natureza de subúrbio da capital foi-se acentuando, embora alguns relatos, como por exemplo o de frei Nicolau de Oliveira de 1620, já nos vão incluindo Belém dentro do perímetro da cidade. Algures entre 1551 e 1591 – como aponta Vieira da Silva – havia sido erguida a freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, mas sendo o seu território demasiado vasto, tinha a paroquia duas sucursais, uma das quais instalada no mosteiro de Belém.
A zona tornou-se então progressivamente mais apetecível. Dom João V aí adquiriu um conjunto de quintas e propriedades, sendo de admitir que tivesse em mente a ideia de vir a desenvolver qualquer projecto de monta. Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa, relata-nos que “adiante da Junqueira fica logo o lugar de Belém, taõ salutifero & aprazível, q dos naturaes & estrangeyros he appetecido para habitação; & os que por falta de commodidade o naõ podem habitar, estaõ em continuo concurso frequentando aquelle sitio. Nelle tem casas, quintas nobres, Fidalgos das primeyras qualidades do Reyno; & se o terreno permittira mais Palácios, ou edifícios, viera a ser a cidade continuada até aquelle sitio”.
No terramoto do primeiro de Novembro de 1755, Belém e Ajuda foram das zonas menos afectadas pela catástrofe. Tal circunstância concorreu para que muita gente para ali se dirigisse e se instalasse em numerosas barracas que foram sendo edificadas nos diversos baldios que então existiam. O próprio rei D. José e a corte fixaram-se numas barracas situadas numa das quintas régias, próximo do local onde mais tarde se ergueu o palácio da Ajuda. A permanência do monarca e do seu ministro – o futuro marquês de Pombal, entretanto nomeado ministro e secretário de Estado dos negócios do reino – fizeram do eixo Belém-Ajuda, ao longo do terceiro quartel de setecentos, o centro do funcionalismo e da burocracia, atraindo simultaneamente para a zona o comércio e os artífices. A presença militar foi outra realidade, com a instalação que entretanto se verificou, na calçada da Ajuda, dos quartéis do regimento de infantaria do conde de Lippe e do regimento de cavalaria de Mecklemburgo. Estava, assim, consolidada a definitiva integração daquela zona da cidade de Lisboa.
Em 1770, foi formalmente criada a freguesia de São Pedro de Alcântara, abrangendo um território a poente da ribeira, desanexando da freguesia da Ajuda. Também no reinado de D. José, foi oficialmente instituído o bairro – judicial e administrativo – de Belém, que abrangia toda a freguesia da Ajuda, parte das de Alcantra e Santa Isabel, e ainda, no termo da cidade, as freguesias de Benfica, Belas, Barcarena e Carnaxide.

Os derradeiros anos do século XVIII e os primeiros decénios do XIX trouxeram à zona de Belém-Ajuda diversas contrariedades, acabariam por afastar dali o centro político do país. Em 1794, deu-se o grande incêndio na real barraca da Ajuda, obrigando a família real a abandonar o local e a instalar-se, sobretudo, no palácio de Queluz. Mesmo o início da construção do palácio da Ajuda, logo no ano seguinte, não impediu esse afastamento, pois a falta de verbas impedia a conclusão do novo paço e as invasões francesas, no dealbar do oitocentos, acabariam por determinar a transferência da família real e da corte para o Rio de Janeiro, de onde só regressariam em 1821, para se instalarem, sucessivamente, nos passos das Necessidades e da Bemposta.
Mas se já ao longo da segunda metade de setecentos se assistira ao aparecimento, em Belém, de diversas oficinas de artífices e de algumas indústrias, as primeiras décadas da centúria seguinte ficaram marcadas pelo efectivo desenvolvimento de um pólo fabril, em particular na zona de Pedrouços e Bom Sucesso, que abrangia produções tão diversas como as dos curtumes, cordoaria, estamparia, vidros, louças, tecidos de algodão e de seda, entre outras.

A 28 de Dezembro de 1833, era formalmente instituída, por decreto, a freguesia de Santa Maria de Belém, com sede na igreja dos Jerónimos e abrangendo um território desanexado da freguesia da Ajuda. Nos anos subsequentes, verificam-se diversos melhoramentos nas artérias da zona e Belém vivia então plenamente o pulsar quotidiano do ambiente citadino. O desenvolvimento industrial da nova freguesia acentuou-se ao longo da segunda metade de oitocentos. Um inquérito realizado em 1881 dá-nos conta da existência de, pelo menos, vinte e cinco fábricas no eixo Alcântara-Belém, que empregavam cerca de 1215 homens, 812 mulheres e 432 menores. Estávamos em plena revolução industrial e Belém encontrava-se na charneira dessa forte mudança social. Este fenómeno trouxe um outro, que foi o da fixação de uma população operária e o consequente surgimento dos primeiros pátios e bairros proletários.

Durante este período, conheceu Belém a sua maior autonomia administrativa: de 11 de Setembro de 1852 a 18 de Junho de 1885, existiu o concelho de Belém – cujo primeiro presidente foi o notável historiador Alexandre Herculano -, abrangendo as freguesias de Nossa Senhora da Ajuda, Santa Maria de Belém, parte das de São Pedro de Alcântara, Santa Isabel e São Sebastião da Pedreira, e ainda as freguesias de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, São Lourenço de Carnide e Menino Jesus de Odivelas.
Foi igualmente com estes tempos que a zona ficou de novo marcada pela presença assídua da família real, pois el-rei D. Luís e sua mulher, a rainha D. Maria Pia, escolheram para sua residência habitual o inacabado (mas habitável) palácio da Ajuda.

Belém conhecera então diversos desenvolvimentos urbanos, como a construção do aterro que vinha de Alcantra até à torre de São Vicente de Belém, a abertura de diversas docas ou a inauguração da linha-férrea para Cascais, que inicialmente apenas partia de Pedrouços. É também por estes tempos que as idas a banhos se começam a vulgarizar e que aparecem as primeiras colectividades de recreio e cultura.

Na transição para o século XX, a mancha urbana de Belém encontrava-se consideravelmente alargada e a população crescera significativamente; o surgimento do eléctrico permitia fluxos de circulação com a zona central da cidade e durante as primeiras décadas dessa centúria muitas foram as alterações urbanísticas registadas nesta parte ocidental da capital. Mas mudança mais radical ocorreu em 1940 com a realização da Exposição do Mundo Português, evento que obrigou à demolição de uma boa parte do núcleo central de Belém e que hoje forma a grandiosa praça do Império.

De então para cá, Belém assumiu plenamente a sua condição de centro cultural e monumental, onde um conjunto patrimonial de elevado interesse histórico e artístico faz com que esta seja uma das zonas da cidade de maior influência turística. Jerónimos, Torre de Belém, Padrão das Descobertas, Palácio de Belém e mesmo o moderno Centro Cultural fazem – como nos diz Maria Tavares Dias – com que, “quase sempre, cada guia acompanha tudo isto de evocações com caravelas aventureiras, descrições do manuelino e louvores às panorâmicas do Tejo”.

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